EU GOSTO DE CAFÉ. SÓ NÃO GOSTO DE O BEBER.
- há 1 dia
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Gosto do cheiro. Muito.
Na verdade, gosto tanto que às vezes peço às pessoas para me deixarem cheirar o café delas.
Sim, eu sei. Escrito assim parece estranho.
Mas há qualquer coisa no cheiro do café que eu adoro. O aroma, o ritual, a chávena quente, aquele momento em que alguém se senta e parece que o mundo abranda durante cinco minutos.
O problema é quando chega a parte de beber.
Café puro? Não consigo.
E depois há ainda aqueles casos em que a pessoa até podia gostar… mas o corpo decidiu participar na conversa e votar contra.
Há quem adore café e simplesmente não o tolere. O coração acelera, o estômago protesta, o corpo faz uma assembleia geral e a conclusão é:
“Muito bonito esse espresso. Mas para ti, não.”
O que prova que, às vezes, nem sequer é uma questão de gosto. Há relações que acabam por incompatibilidade. Até com café.
Mas leite com café, numa proporção muito específica de 80% leite e 20% café, já é outra conversa. Aí sim, consigo participar no ritual sem sentir que estou a ser castigada por alguma coisa que fiz noutra vida.
E agora vem a parte mais contraditória:
tenho duas máquinas de café em casa.
Duas.
Para as visitas, obviamente. 🤣
Porque eu posso não beber café, mas também tenho educação.
Aliás, até gosto de preparar café para os outros. Gosto do cheiro que fica pela casa, gosto de servir, gosto daquele pequeno momento em que a pessoa pega na chávena e fica satisfeita.
Só não me peçam para beber o mesmo.
Há quem diga que não se deve confiar em pessoas que não bebem café.
Acho uma acusação muito séria.
Eu não bebo café e considero-me uma pessoa bastante confiável.
Claro que esta opinião é minha, portanto talvez não seja a fonte mais imparcial.
Mas ainda assim.
Acho curioso como uma coisa tão banal como o café consegue quase criar categorias de pessoas: os que não funcionam antes do primeiro café, os que bebem cinco por dia, os que discutem marcas, máquinas, moagem, intensidade… e depois existo eu.
Eu só quero cheirar.
Às vezes olho para alguém com um espresso perfeito e penso:
“Isso deve saber tão bem quanto cheira.”
Depois lembro-me de que não.
E sigo a minha vida.
Talvez seja esta a minha relação com o café:
gosto da ideia, gosto do ambiente, gosto do ritual, gosto do cheiro, mas …
alto e para o baile!
E pensando bem, talvez haja mais coisas na vida assim.
Coisas que adoramos de longe, mas que quando chegam demasiado perto já não têm exatamente o mesmo encanto.



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